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Tietê o grande vilão das enchentes

 

 

ESTUDO DE CASO

Rio Tietê é um rio brasileiro do Estado de São Paulo. É famoso nacionalmente por atravessar a cidade de São Paulo, que freqüentemente sofre com suas enchentes e inundações. 
Nasce em Salesópolis, na Serra do Mar, a 1.027 metros de altitude. Apesar de estar a apenas 22 km do litoral, as escarpas da Serra do Mar o obrigam a caminhar sentido inverso, rumo o interior e atravessa o estado de São Paulo de sudeste a noroeste até desaguar no lago formado pela barragem de Jupiá no rio Paraná, cerca de 50 quilômetros a jusante da cidade de Pereira Barreto.

O Tietê foi conhecido no tempo do Brasil colonial como a principal via de penetração dos colonizadores (bandeirantes) para o interior do Brasil, primeiramente em busca de índios para escravizar e, posteriormente, de ouro. 
Ao penetrar no município da capital paulista, fazendo divisa com o município de Guarulhos, sofre um profundo processo de retificação de seu curso, visando minimizar as enchentes na área urbana da capital. É nesse trecho que o Tietê mais sofre com a poluição urbana e industrial da região metropolitana de São Paulo.

À medida que se afasta para o interior, o processo poluidor diminui de intensidade e, quando recebe as águas de seu principal afluente, o Piracicaba, seu leito retorna à normalidade. Como um típico rio da industrializada região Sudeste do Brasil, o Tietê, assim como o rio Grande, recebeu uma grande quantidade de barragens, visando ao aproveitamento hidrelétrico. As barragens de Barra Bonita, Ibitinga, Nova Avanhandava e Promissão estão entre as mais importantes. Este conjunto de barragens também propiciou a regularização da navegabilidade de seus médio e baixo cursos, possibilitando a implantação de uma hidrovia para transporte de grãos entre as regiões agrícolas do Mato Grosso do Sul e São Paulo.



O Problema

Além da poluição, o Rio Tietê também é célebre por outro grande problema ambiental: as inundações provocadas por enchentes.
O Rio Tietê sempre foi rio de meandros e portanto para a construção das rodovias marginais foi necessária uma retificação de seu curso natural. Devemos lembrar que tais rodovias foram construídas sobre a várzea do rio, ou seja, locais naturalmente alagadiços.
Como se não bastasse o fato de terem sido ocupadas as áreas da várzea, o crescimento da cidade também fez com que o solo da bacia do Tietê na região da Grande São Paulo fosse sendo impermeabilizado: asfalto, telhados, passeios e pátios foram fazendo com que a água das chuvas não mais penetrasse no solo que a reteria.

Com uma taxa de impermeabilização estimada em quase 45%, São Paulo é um bom exemplo de local onde o cimento e o asfalto vêm (literalmente) ganhando terreno, e de braçada. O Código de Obras da capital paulista estipula em 15% a área do terreno que deve ficar permeável. Além disso, o município tem uma lei (projeto do vereador Adriano Diogo, atual secretário municipal do Meio Ambiente), em vigor há um ano, que obriga os donos de terrenos com mais de 500 m² de área construída ou cobertura impermeável (incluindo estacionamentos), a deixar pelo menos 30% de sua área com piso drenante ou construir reservatórios temporários de água pluvial, chamados de “piscininhas”. Uma grande percentagem da precipitação corre imediatamente para as galerias de águas pluviais e dali para os córregos que finalmente as conduz para o Tietê que, por maior capacidade que tenha, não tem condições de absorver o volume. Embora já venha ocorrendo o estímulo às medidas que retenham parte da água, seria necessária uma maior conscientização da população no sentido de evitar a impermeabilização do solo.

Além dos prejuízos e transtornos sofridos pelas pessoas diretamente atingidas (doenças transmitidas pela água - como tifo, hepatite e leptospirose; residências, móveis, veículos e documentos destruídos etc.), as inundações nas marginais do Tietê acabam atingindo não só a economia da região, mas também a economia do Estado e do País.
Pelas marginais, incluindo as do Rio Pinheiros, passam a ligação Norte-Sul do Brasil, o acesso a várias rodovias (Rodovia Presidente Dutra, Rodovia Ayrton Senna, Rodovia Fernão Dias, Rodovia dos Bandeirantes, Rodovia Anhangüera, Rodovia Castello Branco, Rodovia Raposo Tavares, Rodovia Régis Bittencourt, Rodovia dos Imigrantes e Rodovia Anchieta); o acesso aos aeroportos de Congonhas e Cumbica e ao porto de Santos, o mais importante do País. Uma interrupção das marginais reflete-se então na paralisação de transportes públicos, abastecimento e escoamento de produtos, produção de indústrias etc.


SEÇÃO TRANSVERSAL TÍPICA EM DIA DE SOL



SEÇÃO TRANSVERSAL TÍPICA EM DIA DE CHEIA
O RIO TRANSBORDA, SAI DA CALHA, E INUNDA AS ÁREAS DE INUNDAÇÃO


Estudo

A enchente ocorre quando o rio Tietê recebe, repentinamente, um grande volume d'água dos seus afluentes como o Rio Aricanduva, que deságua muitos milhões de litros em alguns poucos minutos. A água que já estava no Tietê a uma certa velocidade precisa de algumas horas para ganhar força e adquirir uma velocidade maior.
Enquanto a água do Tietê não ganha velocidade, a que vem do rio Aricanduva vai sendo acumulada, e o rio enche até transbordar. De acordo com o engenheiro Roberto Massaru Watanabe, a seção transversal do rio Tietê foi projetada para alojar 2 avenidas marginas, uma em cada margem do rio, a calha por onde corre o rio, normalmente nos dias de sol, e de uma área especial denominada Área de Inundação por onde o rio deveria correr quando ocorrem as enchentes. 
Por causa desse fenômeno hidráulico, o rio Tietê precisa de uma área lateral para poder absorver essa enchente. Essa área existe e situa-se a alguns metros abaixo das avenidas marginais. Quando a área de inundação está limpa, sem mato, entulho, lixo ou barracos de invasores, há um equilíbrio perfeito: a enchente ocorre mas não chega a invadir as avenidas marginais, tampouco as ruas das proximidades. Ou seja, não ocorre a inundação.
Entretanto, os governos não têm feito a manutenção adequada da calha do rio. Pior do que isso, tomam medidas tecnicamente erradas, como tentar desassorear o rio em plena época das chuvas. Há casos documentados em que dragas retiram material do fundo do rio e o depositam justamente na área de inundação do rio.
Com isso, o rio Tietê perdeu completamente a capacidade de absorver as enchentes. Com qualquer chuva, mesmo pequena, a enchente acaba inundando as ruas e as casas próximas.
Mais recentemente, o governo estadual tem feito um grande projeto de rebaixamento da calha do Rio Tietê. Esse rebaixamento é feito através do desassoreamento do rio, obtido com explosivos, perfuração subaquática e dragagem. Tendo perdido a sua Área de Inundação, o rio vai transbordar e vai inundar as ruas próximas destruindo o patrimônio das pessoas que, a muito custo conseguiram ajuntar um pouco de conforto para as suas sofridas vidas.

O contínuo desenvolvimento de uma cidade, como a de São Paulo, avançando sobre áreas de mata nativa e, também, demolindo antigos casarões para substituírem por grandes empreendimentos comerciais, diminuem a permeabilidade do solo. Como conseqüência, menos água de chuva irá infiltrar-se no subsolo, sobrando mais água para escoar pelas ruas e avenidas. A chuva que atinge o solo tem dois caminhos a seguir: um é pelo subsolo na forma de lençol freático ou veios e rios subterrâneos; o outro é pela superfície, na forma de enxurradas, regatos, córregos e rios.

A capacidade de retenção de água pelo subsolo depende da Permeabilidade do solo. Em solos arenosos (partículas grossas) a permeabilidade é alta. Em solos argilosos (partículas finas) a permeabilidade é baixa. Em solos rochosos, cimentados, ruas asfaltadas, solos que ficam sob as casas e prédios, a permeabilidade é nula. Quanto maior a permeabilidade do solo, mais água da chuva consegue infiltrar no subsolo e, conseqüentemente, menos água irá escoar pela superfície.

Nos bairros contemplados com Rede de Águas Pluviais, a situação se complica dia a dia, pois os casarões antigos estão sendo gradativamente substituídos por prédios e shopping centers.
Quando não existia a cidade, a região tinha alta permeabilidade e grande parte da água da chuva infiltrava no subsolo. Agora que a floresta foi substituída por prédios e ruas asfaltadas, o solo se tornou impermeável e pouca, muito pouca, água consegue infiltrar no subsolo. A grande parte da água da chuva corre pela superfície. Cada vez que a cidade se "desenvolve", mais e mais o solo vai tornando impermeável. Com isso, cada vez mais água precisa correr pela superfície.

Uma região como o Tatuapé, na Zona Leste de São Paulo, até a década de 40, era ocupada por grandes chácaras. A permeabilidade era altíssima, mesmo por que as roças são confeccionadas para "aprisionar" a água da chuva, obrigando-a a infiltrar no terreno.
Com o vertiginoso desenvolvimento urbano (e ainda tem gente que chama a isso de "desenvolvimento") o solo tornou-se praticamente impermeável, restando bem poucas áreas verdes. Com a permeabilidade zero, não há mais infiltração e toda a água da chuva é obrigada a correr pela superfície, isto é, pelas ruas e avenidas. É um caos. 
O problema ainda está longe de estar definitivamente resolvido. Mas cabe ressaltar que a Marginal Tietê chegou a ficar sem inundações por três anos. Em 25 de Maio de 2005, no entanto, houve nova inundação, ocasionada por uma forte chuva (a segunda maior desde 1943, conforme notícia veiculada pelo jornal Folha de São Paulo).




Área em que ocorreram as inundações no mês de janeiro do ano 2.000:



CONCLUSÃO

As enchentes e inundações são dois problemas, entre milhares, que a civilização deve enfrentar nesse milênio. O que deve ficar claro é que são processos naturais, e que já vêm ocorrendo há muito tempo, são comuns, não são fenômenos raros. Mas infelizmente, com a ação antrópica, ou seja, dos homens, esses processos são afetados, tornando-se mais freqüentes e em maiores proporções, causando grandes tragédias. E sempre as pessoas de baixa renda, com menos conhecimento e cultura, são as mais prejudicadas.
É nítido que os fatores naturais influenciam muito nas enchentes que ocorrem nas grandes cidades, porém se não fosse o homem e sua falta de informação e respeito com o meio onde vive, nada disso aconteceria. As cidades já chegaram no máximo de condição para agüentar tantas pessoas. É necessário que o governo junto à população tomem medidas de conscientização, como quanto à impermeabilização do solo, para que as conseqüências, efeitos das enchentes e inundações sejam mínimas e não prejudiquem pessoas. Assim, volta-se ao conceito de desenvolvimento sustentável, é necessário o desenvolvimento humano, mas é mais importante ainda a conservação do meio ambiente, obtendo-se uma troca mútua.