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Tributilestanho - C12H28Sn


 

O TBT é um composto polar, hidrofóbico e lipofílico. Foi introduzido no mercado nos anos 40 nos EUA, e na Europa na década de 50, inicialmente utilizado como composto estabilizador que inibe a degradação do Cloreto de Polivinila (PVC) pelo efeito da luz e/ou calor. Posteriormente foi comercializado em larga escala em tintas anti-vegetativas ou anti-incrustantes, utilizadas em cascos de barcos, redes e jaulas de aquacultura a fim de impedir a fixação, até cinco anos, de organismos como algas e invertebrados (mexilhão, cracas, etc.). Utilizado também na agricultura como pesticida, conservante de madeiras, e numa escala menor em desinfetantes e tratamentos algicidas em materiais de construção.

A sua elevada difusão no meio marinho tornou-se uma preocupação ambiental a nível mundial. Atualmente que é a substância mais tóxica produzida pelo homem. Até à década de 90, o consumo mundial de organo-estânicos (OE) cresceu de 1.500 para 50.000 toneladas/anos.



Figura 1. Mexilhões dourados incrustados no barco, isso pode diminuir a velocidade de navegação.

 

Solubilizado para o meio através das tintas dos barcos, a decomposição deste composto pode ser mediada através de uma variedade de processos físicos, químicos e biológicos. Nos ecossistemas aquáticos a degradação biológica é a mais significativa, apresentando um tempo de vida médio de alguns dias até vários meses, dependendo da temperatura e biomassa algal. O TBT sofre degradação no ambiente de uma forma sequencial, para DBT (di-butil-estanho), MBT (mono-butil-estanho) e posteriormente estanho inorgânico. A concentração de DBT e MBT aumenta em profundidade, ao contrário do TBT que apresenta pouca dispersão, difunde-se perto do local onde foi introduzido, nomeadamente áreas de elevado tráfego marítimo como portos e marinas.

 

No Brasil

Uma tinta muito usada por pescadores para pintar o casco de barcos pode estar fazendo um tipo de caranguejo do Sudeste do Brasil trocar de sexo. Análises iniciais mostram que o contato com o poluente TBT tem feito as fêmeas dos grupos estudados se masculinizarem.

De acordo com o biólogo Bruno Sant'Anna, da Unesp, caranguejos ermitões da espécie Clibanarius vittatus, em 13 estuários estudados, de Cananeia (SP) a Paraty (RJ), registraram o composto TBT em seus órgãos.

 

 

Fontes:
Imagem Molécula
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tributil_estanho acessado em 31/01/2017.
Figura 1
http://www.planetainvertebrados.com.br/index.asp?pagina=galeria_de_fotos_ver&id=102&nome_galeria=Explorando%20Grande%20Porto%20Alegre%20(RS)%20-%20107%20fotos%20-%20Parte2&paginas=2 acessado em 31/01/2016.
Texto
Felizzola, J. F., 2005. Especiação de Compostos Butílicos de Estanho em Sedimentos Superficiais da Baía de Todos os Santos. Dissertação de Mestrado, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 117 pp.
Martins, T. L e Vargas, V.M.F. 2013. Riscos à biota aquática pelo uso de tintas anti-incrustantes nos cascos de embarcações. Ecotoxicological Enviroment  Contam., v. 8, n. 1, 2013, 01-11.
Sant'Anna, Bruno. Poluição faz caranguejo mudar de sexo, diz biólogo. Jornal Folha de São Paulo-caderno Ciência, 17 agosto 2009.
Disponível em:< http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe1708200901.htm> acessado em 31/01/2017.