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O-Clorobenzilideno Malononitrilo (CS)


C10H5ClN2

Essa molécula apresenta em sua estrutura química anel benzênico conectado a um átomo de cloro (Cl) e dois grupos ciano (C= N). É uma das substâncias usadas como gás lacrimogêneo (do latim lacrima = lágrima). Trata-se de uma substância sólida que misturada a solventes se torna um aerosol ácido. Os efeitos da exposição ao gás são reações involuntárias de lacrimação com uma forte sensação de queimação nas terminações nervosas da pele. Coceiras, inflamações, dor de cabeça, leve vertigem, sensação de insuficiência respiratória são os efeitos mais comuns.


O-Clorobenzilideno Malononitrilo (CS)

Foi desenvolvido nos anos 50, na Inglaterra, pelo laboratório CBW (no polêmico centro de pesquisas de armas químicas de Porton Down). Depois, nos anos 60, foi utilizado em larga escala pelos Estados Unidos durante a Guerra do Vietnam (1).

Estes gases podem ser dispersos por meio de sprays (aerosol) de mão por meio de recipientes que emitem gás a um ritmo fixo ou explosivamente. Tais recipientes são tanto construídos na forma de granadas de mão como projéteis a serem lançados tanto de armas adequadas portáteis como ficas em veículos ou mesmo por morteiros. Podem ainda ser construídas conjuntamente com bombas de efeito moral, liberando o gás conjuntamente com explosão de ruído extremamente intenso.

Para prevenir maiores efeitos da bomba de gás lacrimogêneo ou qualquer similar, saia do local imediatamente dirigindo-se para um local de ar fresco; não toque os olhos ou o rosto com as mãos antes de lavá-las bem; retire a roupa contaminada assim que puder; remova lentes de contato (não com os dedos contaminados) e tente não esfregar com força ou coçar nada. Para limpeza utilize sabão neutro (sem óleos ou cremes) e água fria. Água morna só intensificará os efeitos do gás. Caso os sintomas e efeitos persistirem, um médico deve ser procurado o mais rápido possível.

Venda e Exportação

A Facing Tear Gas mobiliza sua campanha contra governos e empresas fabricantes desse tipo de armamento. No mundo, eles destacam seis. Uma delas é a brasileira Condor, baseada no Rio de Janeiro, responsável pelas bombas de gás utilizadas na Turquia. Lá manifestantes fotografaram as bombas utilizadas na Turquia, entre elas estão a GL 310 – a chamada “bailarina”, por se movimentar após a combustão, impedindo de ser capturadas e arremessadas de volta.


O-Clorobenzilideno Malononitrilo (CS)

Figura 1. Bombas utilizadas na Turquia, como a GL 310 – a chamada “bailarina”, por se movimentar após a combustão, impedindo de ser capturadas e arremessadas de volta (2)

A empresa exporta 30% da sua produção. Já vendeu mais de US$ 10 milhões para a Turquia em 2011 e US$ 12 milhões para os Emirados Árabes Unidos em abril de 2013. Por aqui, a Condor selou contrato de R$ 49,5 milhões para fornecimento de armas não letais para uso da polícia durante os eventos esportivos, segundo a agência Pública. A exportação de material bélico é incentivada pelo governo brasileiro, que isentou o setor de impostos desde 2011.

A venda indiscriminada de armas a países sob ditadura é alvo de críticas. O Itamaraty afirmou ter iniciado uma investigação sobre a Condor após um bebê ter sido morto por substâncias do gás vendido pela empresa no Bahrein. A empresa alega respeitar os padrões internacionais de segurança.

GUERRA QUÍMICA

A Guerra química é um tipo de guerra não convencional, baseada no uso de propriedades tóxicas de substâncias químicas para fins de destruição em massa - seja com finalidades táticas (limitadas ao campo de batalha), seja com fins estratégicos (incluindo a retaguarda e vias de suprimento do inimigo). As armas químicas diferem de armas convencionais ou nucleares porque seus efeitos destrutivos não são principalmente decorrentes da força explosiva.

Armas químicas são baseadas na toxicidade de substâncias químicas, capazes de matar ou causar danos a pessoas e ao meio ambiente - tais como o gás mostarda, o cloro (Cl2), o ácido cianídrico (HCN), o gás sarim, o agente laranja ou o Napalm. Têm sido utilizadas tanto para reprimir manifestações civis - como é o caso do gás lacrimogêneo - quanto em grandes conflitos.

A guerra química moderna surge na I Guerra Mundial, para superar a luta nas trincheiras, derrotando o inimigo com gases venenosos. No conflito, as armas químicas mataram ou feriram cerca de 800 mil pessoas. A substância mais conhecida era o gás mostarda (de cor amarelada), capaz de queimar a pele e produzir danos graves ao pulmão, quando aspirado.

Durante a Segunda Guerra Mundial, também foi utilizada. O professor Yoshiaki Yoshimi publicou uma série de estudos sobre o uso de armas químicas, pelo exército japonês, contra prisioneiros australianos.

As armas químicas mais temidas são os agentes organofosforados, que agem sobre o sistema nervoso, bastando pequenas quantidades sobre a pele para provocar convulsões e morte. Se o conceito de arma química for ampliado, também pode ser incluído o herbicida agente laranja, sem efeito imediato em seres humanos, que foi usado pelos norte-americanos na Guerra do Vietnã. Na guerra entre Irã e Iraque (1980-1988), os iraquianos usaram armas químicas contra o inimigo e voltaram a usá-las posteriormente, em 1991, contra aldeias curdas do norte do país.

PROIBIÇÃO

A Convenção de Armas Químicas (CWC) é consequência do Protocolo de Genebra de 1925, que proíbe o uso de gases tóxicos e métodos biológicos para fins bélicos. Vários países assinaram o acordo, antes da II Guerra Mundial, quando foram interrompidas as negociações. A discussão do protocolo só foi retomada com o fim da Guerra Fria.

Finalmente, em 1993, a CWC foi concluída, sendo adotada a partir de abril de 1997. No mês seguinte foi criada a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Organization for the Prohibition of Chemical Weapons - OPCW), encarregada de supervisionar a destruição de arsenais químicos e assegurar a não-proliferação de armas químicas, com exceção do gás lacrimogêneo para conter revoltas e tumultos, medida considerada pacificadora.

Há, entretanto, outros produtos químicos usados para fins militares e que não estão listados na Convenção, tais como: desfolhantes, que destroem a vegetação, mas cujos efeitos tóxicos sobre os seres humanos não são imediatos, como o agente laranja, usado pelos Estados Unidos no Vietnam, que contém dioxinas, substâncias cancerígenas que causam também alterações genéticas e deformidades fetais; incendiários ou explosivos, como napalm, também extensivamente usado pelos Estados Unidos no Vietnam; vírus, bactérias ou outros organismos, cujo uso é classificado como guerra biológica. As toxinas produzidas por organismos vivos podem ser consideradas armas químicas, já que envolvem processos bioquímicos, porém as toxinas são objeto da Convenção de armas biológicas.

Até 20 de novembro de 2008, apenas os seguintes países não tinham ratificado a Convenção: Angola, Bahamas, Coréia do Norte, Egito, Iraque, Israel, Myanmar, República Dominicana, Síria e Somália.

Fonte:

1.Imagem Molécula
http://www.brasilescola.com/quimica/gas-cs.htm
acessado em 21/06/2013

2.Como funcionam as bombas de gás lacrimogêneo
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI339395-17770,00-COMO+FUNCIONAM+AS+BOMBAS+DE+GAS+LACRIMOGENEO.html
acessado em 21/06/2013

3.Guerra Química
http://quimicokleber.blogspot.com.br/2009/05/historia-as-17h-do-dia-22-de-abril-de.html
acessado em 21/06/2013

4. SCHECTER, William P; FRY, Donald E. The surgeon and acts of civilian Terrorism: Chemical Agents. Journal of the American College of Surgeons , vol. 200, Nº1, January 2005.