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Por que adoramos açúcar?

Entenda como os doces agem no seu cérebro e influenciam seu comportamento!


É muito difícil encontrar uma criança ou mesmo um adulto que não goste de doce. Você sabe por quê? Pois podemos dizer que a paixão pelo açúcar está na cabeça das pessoas. A explicação é a seguinte: o cérebro é formado por milhões de células chamadas neurônios, que se comunicam umas com as outras ininterruptamente, porque fazem parte de uma mesma rede. Embora as células desta rede não se toquem, cada uma delas tem um prolongamento, como se fosse uma cauda, chamado sinapse, que é usado para fazer a comunicação. Quando um neurônio deseja enviar uma mensagem para outro neurônio, ele manda um mensageiro químico, chamado neurotransmissor, atravessar o diminuto espaço da sinapse -- que é cerca de mil vezes menor que um fio de cabelo. Só que, para captar a mensagem enviada o outro neurônio precisa da ajuda de proteínas denominadas receptores. E quando elas reconhecem o neurotransmissor... Pronto! Está dado o recado.

Com toda a razão, você deve estar perguntando o que tudo isso tem a ver com a vontade de comer doces. Bem, de forma simples, podemos dizer que a ingestão de açúcares leva os neurônios a liberarem dois neurotransmissores: a serotonina e a beta-endorfina, que são responsáveis pelo controle do estado de humor, do comportamento e dos níveis de energia do organismo das pessoas.


Quando os neurônios estão liberando serotonina as pessoas se sentem calmas, relaxadas, esperançosas e otimistas -- uma sensação de paz com a vida. Nessas condições, as pessoas são criativas, meditativas e concentradas. Por outro lado, quando os neurônios liberam pouca serotonina, as pessoas se sentem deprimidas, atuam compulsivamente, ficam dispersas, têm dificuldade de manter a concentração e, entre outras coisas, sentem desejos de comer doces.

Já a liberação de beta-endorfina produz a sensação de bem-estar, reduz a dor física, torna mais fácil para as pessoas suportarem os problemas emocionais, aumenta a auto-estima e pode criar uma sensação de euforia. A liberação de pouca quantidade de beta-endorfina torna a pessoa chorosa, isolada, deprimida, sem esperanças, com baixa tolerância a dor física e emocional. Enfim, faz com que as pessoas aumentem a dimensão de seus problemas e as leva a desejar comer doces.

Logo, é por causa dos efeitos positivos que a ingestão de açúcar produz sobre o humor e o comportamento que, mesmo instintivamente, as pessoas procuram os doces. O problema é que o açúcar em excesso tem uma conseqüência má: a obesidade -- um grave problema de saúde que afeta um grande número de pessoas no mundo.

Para finalizar, proponho um desafio: faz algum sentido oferecer um copo de água com açúcar para que uma pessoa nervosa se acalme?

Ciência Hoje das Crianças 117, setembro 2001
Joab Trajano Silva,
Departamento de Bioquímica,
Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Mário José Politi
Instituto de Química, Universidade de São Paulo.

http://cienciahoje.uol.com.br/4230 - fevereiro 2006